sexta-feira, 11 de julho de 2014

Capítulo 1 - Cuidados ao Ignorar a Dor nos Exercícios

Depois de dois ou três dias caminhando a minha perna era pura dor. Começava logo cedo e repetia o procedimento durante a noite, por mais de uma hora em cada um desses momentos. Como o condomínio era cheio de subidas e descidas, a batata da perna também sofria bastante, mas isso não me importava, no dia seguinte eu botava a roupa e ia caminhar. No começo, eu realmente caminhava mesmo até cansar, não tinha nenhuma referência de tempo não. Só depois que alcancei algum sucesso é que passei a controlar o tempo. Dei sorte que, nessa época, eu estava trabalhando somente 5 horas por dia.

Se eu não a ignorasse, a dor iria me impedir de continuar então eu a ignorava, mas não era qualquer dor que eu deixava passar. É preciso se conhecer e entender a origem de cada incômodo. Como eu me esforçava até a exaustão, sabia que seria gerado ácido lático na musculatura e isso não me faria mal. Por isso ignorava, mas teve um dia específico, que eu estava com tanta raiva, tanta raiva, que decidi que só pararia de caminhar quando fosse insuportável continuar.

Nesse dia eu parei antes. O meu pé começou a doer e se eu não parasse, ficaria com bolhas. E se tem algo terrível para caminhar no dia seguinte, é justamente uma ou várias bolhas na sola do pé. Então eu pensei: "É melhor parar e continuar só amanhã, se não, ficarei vários dias sem caminhar direito."

Outro cuidado que eu tinha era com o joelho. Nos primeiros dias de caminhada, na hora das subidas, eu fazia passos longos e reparei que estava forçando meu joelho. Passei a usar passos curtos na subida e a força foi deslocada para a batata da perna. Doía horrores, porque eu não queria diminuir a velocidade, mas eu seguia em frente. Era dor muscular.

Praticando Tai Chi Chuan, que é um ótimo exercício para as pernas, o meu professor já havia dito que o joelho não podia ultrapassar a linha imaginária que sobe verticalmente da ponta dos pés e notei que meu joelho doía justamente porque eu violava este limite.

Era basicamente isso que eu fazia: ignorava as dores musculares do dia seguinte, alongava as partes mais doloridas antes de sair para caminhar. Quando estava doendo muito, começava devagar para aquecer e assim a dor sumia e prestava atenção em outras dores que indicassem perigos para os exercícios futuros.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Capítulo 1 - A Rotina para Emagrecer - Exercícios

O que as pessoas realmente querem saber é como eu fiz para emagrecer, quais foram os exercícios e qual foi a minha alimentação. Então vou começar escrevendo sobre os esforços físicos.

Eu achava que perder peso seria uma dificuldade, que demoraria muito, mas me surpreendi enormemente com a velocidade do processo. No dia em que me decidi, coloquei meu tênis e saí para caminhar. Caminhei, caminhei e caminhei

Comecei devagar, e fui aumentando a velocidade no decorrer do processo, caminhei o quão rápido eu consegui e pelo tempo que aguentei. Insisti até ficar bem cansado. Isso deu um período de quase duas horas. Então passei a repetir o mesmo processo todos os dias.

Em alguns dias eu estava mais disposto, então ficava mais tempo me movimentando, em outros, terminava mais cedo, mas nunca ficava menos de uma hora por evento. A minha velocidade era: a mais rápida possível, mas sem correr. Tinha muita preocupação com o joelho e só corria se fosse em uma esteira, nunca na rua.

Fazia sempre duas sessões de caminhada. Uma logo cedo, assim que acordava e outra mais tarde, assim que chegava do trabalho. Esse detalhe é importante. Era a primeira coisa a ser feita. Eu tomava minha vitamina de banana e ia para a rua. Só depois eu pensava no resto. Isso evita muito a famosa preguicite.

Todos os dias, fazendo frio ou sol, eu fazia meu exercício. Tudo começou dia 15 de julho. Estava bem frio em Brasília, mas era época de seca, então, não chovia. Chuva atrapalha bastante. Eu morava em um condomínio bastante rural e afastado do centro, então, pela manhã, fazia 8 graus. Minha mão ficava congelando, mas eu seguia em frente mesmo assim.

Depois de uns três dias, as pernas doíam bastante, mas eu alongava antes e continuava caminhando. Quando estava doendo demais, eu começava bem devagar. Alguns minutos depois o corpo aquecia e isso me permitia aumentar a velocidade. A dor sumia.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Introdução - Os Resultados Após 3 Meses

Antes de prosseguir, acho que é bastante importante mostrar os resultados para provar que o processo funcionou. Abaixo, duas imagens que mostram como eu era e como fiquei depois de apenas 3 meses.

As primeiras duas fotos foram as últimas que tirei antes do emagrecimento. Estava fazendo uma caminhada até a cachoeira do condomínio. Vendo isso hoje, fico assustado, mas por algum motivo, na época, eu não percebia o quanto era gordo, nem mesmo vendo as fotos.


As duas de baixo foram as primeiras após alcançar meu objetivo de perder 20 quilos. Na verdade, havia conseguido me livrar de 21. Estava pesando 95 kg, o mesmo peso que tenho hoje, um ano e meio depois.



Perdi todas as minhas blusas e calças que cabiam, fiquei apenas com parte das bermudas. Por sorte, todo gordo guarda roupas que ele ganha e que não cabem, na esperança de um dia emagrecer, então eu ainda guardava algumas peças para vestir. Acho que uma camisa tinha mais de 10 anos no meu armário e estava novinha. Outras tinham até etiqueta.

Fiz duas doações de grande quantidade de roupas. Doei mais de 60 peças. A imagem abaixo mostra o que eu separei para a segunda leva. Na primeira, havia muito mais do que isso.


Esses foram os itens que eu ainda conseguia usar depois dos dois primeiros meses, ficavam muito largos, mas dava para usar. Algumas blusas, que antes não cabiam, ficaram folgadas demais e estão ai na imagem.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Introdução - Gordos não sabem o quanto são gordos

Além de lutar contra o corpo, que sempre tenta recuperar seu peso estável, existe um outro problema. Os gordos não costumam saber o quanto são gordos. Eu não tinha a exata noção disso. É incrível, mas é verdade. No espelho eu não percebia o meu tamanho, apenas em fotos. Acho que é um problema parecido com a anorexia, em que a pessoa não nota o quanto é magra.

Ainda hoje eu não tenho uma ideia exata. Eu sempre acho que sou mais magro do que realmente sou e quando vejo algumas fotos, fico surpreso. Quando vejo alguém gordo na rua, pergunto para a minha namorada se o cara tem o mesmo porte que o meu e vou perguntando com diversos biotipos para estabelecer o meu. Simplesmente não consigo definir isso de forma visual.


Por isso é preciso estabelecer critérios objetivos e constantes de medição. O melhor deles, claro, é o peso. É extremamente necessário ter uma balança, fazer um controle constante. Mais do que isso, devemos ignorar qualquer medida subjetiva, principalmente o espelho, porque a mente de alguém que sempre esteve acima do peso cria diversos mecanismos de fuga para esconder isso.

Eu ainda tenho outras medidas que uso: uma delas é o tamanho do meu pulso. Se está difícil encostar o dedão e o dedo mindinho ao redor do pulso, significa que estou obeso. Se consigo apenas encostar um no outro, estou gordo. Hoje, faço isso com folga, então sei que a situação não é ruim, mas você pode usar fitas métricas em determinadas partes do corpo ou mesmo suas roupas antigas. Fiquei muito feliz no dia em que consegui vestir todas as blusas que estavam no meu armário, aí eu sabia o quanto estava magro, porque a menor delas tinha tamanho G.

Então, se você pretende ser magro, tenha isso em mente: você passou a vida inteira ou muito tempo sendo gordo, sua referência é distorcida, sua mente te engana. Estabeleça critérios de medição objetivos e use-os sem medo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Introdução - A Luta do Corpo Para Te Trazer de Voltar

Não é por acaso que sustento a ideia de mudança de hábitos. Os anos me deram evidências suficientes dessa necessidade. Sempre que perdia 3 ou 4 quilos, o corpo reagia de volta. Um tempo depois eu começava a comer feito um louco e retornava ao peso original. Reparei que o organismo parece sentir que está perdendo peso e tenta te dizer que você precisa voltar ao seu estado "normal".

O meu estado normal, desde que me lembro, sempre foi gordo. Meu peso padrão era 116 quilos. Já cheguei a 120, mas o mesmo mecanismo “atuou” e voltei automaticamente ao patamar anterior. Acho que a maioria das pessoas engorda em uma determinada época e depois sustenta o peso por tempo suficiente para o corpo entender qual é o peso padrão dele. Dizem que nosso organismo leva um ano para reconhecer o novo estado como permanente. Então, depois de emagrecer, é preciso sustentar essa posição por um tempo, até você mesmo se acostumar com ela.

Acho que é por isso que muita gente fala do famoso efeito sanfona. Aconteceu muito comigo em diversos momentos. Hoje em dia, faço um controle quase diário de peso para não deixar isso acontecer. Há épocas em que eu começo a comer como antes. Assim que vejo minha massa aumentando,  logo incremento a carga de exercícios até que eu volte a comer normalmente.

domingo, 28 de abril de 2013

Introdução - Era Gordo Porque Comia Demais

A minha decisão de não tomar remédios se fundamentou em algo muito simples: eu era gordo porque comia demais. Além de abusar da quantidade, ainda me alimentava das coisas mais calóricas possíveis, principalmente macarrão, pizza, pão com queijo e requeijão.

Minha avó paterna, filha de italianos, cozinhava muito bem. Foi educada para ser dona de
casa e preparava os alimentos como ninguém. Isso me ajudou a crescer mantendo o costume de comer demais. Havia sempre muita comida disponível e era ofertada o dia inteiro. Para piorar,
meu paladar adaptou-se a uma alimentação rica em carboidratos e gordura. Sempre ingeria muita, muita massa com molho de tomate, queijo em excesso e seus derivados.

Vovó fazia, à mão, todos os macarrões que alguém pudesse imaginar. Preparava pastéis, sorvetes, bolos variadíssimos, suspiros e muito mas. Não havia como não comer demais. Eu estava sempre lá, na casa dela, e adorava comida.

A consequência óbvia disso tudo foi: eduquei me da forma errada com relação à alimentação. Estava condicionado a ingerir comidas repletas de amido, que ao final do processo digestivo resulta em açucar. Por mais ativo que fosse quando criança, e eu realmente o era, não tinha como evitar a obesidade enquanto estivesse comendo aquela quantidade.

Durante a vida, principalmente durante a adolescência, tentei diminuir meu peso algumas vezes, mas sempre sem a determinação e consciência necessárias. Faltava solidificar a ideia de mudar meu paladar e os hábitos alimentares.

Cansei de ouvir as pessoas falando sobre esse assunto, mas não internalizei a ideia em minha mente. Ainda não havia percebido o quanto isso é importante e faz diferença. Só agora eu consegui.

Portanto, se eu tomasse qualquer produto ou medicamento para forçar o emagrecimento, pouco adiantaria. Não eliminaria as causas da obesidade, que eram os meus hábitos.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Introdução - As Premissas

Quando decidi emagrecer de fato, estabeleci uma premissa básica: não ingerir nada para me ajudar a perder peso. Eu não importava se diziam que o remédio era natural ou saudável, eu não iria comprar, nem engolir nenhum produto específico para este fim. Tudo o que eu fosse fazer dali para frente deveria ser extremamente natural. Deveria ser uma atitude que eu pudesse sustentar para o resto da vida e não um produto que me deixasse preso ou dependente dele.

Sempre me recusei e vou continuar me recusando a condicionar minha vida à compra de produtos ou até mesmo a uma cirurgia. O primeiro, só uso em caso de necessidade. Já a outra opção, com certeza traria muita dor e poderia comprometer minha saúde depois que eu estivesse magro.

Os produtos causariam um emagrecimento artificial. Eu emagreceria pela ação deles. Inibiriam meu apetite, ou substituiriam algum alimento, ou, por último, não me permitiriam absorver os nutrientes que me fariam engordar. No final das contas, eu não estaria reeducado, mas apenas teria encontrado uma maneira de burlar o sistema.

Sempre estive acima do peso "apropriado" para a minha idade, desde que me lembro. Meus pais dizem que engordei após passar alguns dias internado em um hospital por causa de uma pneumonia. Foi aos sete anos de idade, mas, na minha cabeça, antes disso, eu já era gordo. Já me via assim, me sentia dessa forma.

Por ter passado tanto tempo nesses estado, já emagreci diversas vezes antes, mas pouco demorava até engordar tudo novamente. Por quê? Porque eu não mudava a minha vida cotidiana. Não consolidava novos hábitos, mas apenas dava um jeito para a massa corporal diminuir. Os motivos eram muitos e na maioria das vezes, circunstanciais. No geral, eram épocas onde eu não tinha tempo para comer, seja por estar brincando, estudando ou trabalhando muito. As vezes por causa de uma doença e da última vez, não havia comida decente disponível.

Eu sempre emagrecia por situações tão artificiais quanto os remédios. Situações que não representavam o meu cotidiano, mas um período excepcional. Pela minha experiência de vida acima do peso por muitos anos, sei que é preciso se reeducar, que não adiantaria utilizar remédios ou soluções semelhantes. Isso poderia até trazer um resultado inicial, mas a longo prazo, o mais provável seria o desastre.